Entre 23 e 29 de março de 2025, uma equipe do IntegraMar realizou uma expedição científica a João Pessoa, na Paraíba, para estudar um banco de rodolitos localizado a 12 metros de profundidade, próximo ao naufrágio Alice. O trabalho incluiu o reconhecimento de áreas previamente mapeadas, coletas padronizadas, nove incubações subaquáticas e medições de oxigênio dissolvido e luz.

Integração científica e preparação da expedição

A expedição foi articulada a partir da reunião presencial do IntegraMar realizada em dezembro de 2024, em São Paulo. Na ocasião, o Prof. Bráulio Santos apresentou à equipe os bancos de rodolitos de João Pessoa e indicou uma área com potencial para receber o experimento. Considerando o cronograma das expedições já agendadas e as condições favoráveis do mar, a equipe definiu a realização do campo em março de 2025.

A equipe de campo foi formada por Cesar Cordeiro, Felipe Machado Neves, Marina Sissini e Tainá Gaspar. As atividades contaram com o apoio do Prof. Bráulio e da escola de mergulho Clube do Mergulho João Pessoa - Argonauta Diving Center, a bordo da embarcação Tota, além da colaboração de Ivan e Toinho.

Equipe em reunião no convés durante a expedição científica em João Pessoa
Equipe em reunião no convés durante a expedição científica em João Pessoa (PB).
Cardume de peixes registrado durante a expedição científica em João Pessoa
Cardume registrado durante as atividades de campo em João Pessoa (PB).

Reconhecimento das áreas e escolha do banco de rodolitos

No primeiro dia de campo, em 24 de março de 2025, a equipe avaliou áreas previamente mapeadas. O primeiro mergulho ocorreu em uma formação de cabeços entre 6 e 7 metros de profundidade. Nesse ponto, os rodolitos estavam muito concretados ao recife de arenito, condição que impediu a instalação dos anéis no substrato. Durante o mergulho, a equipe também registrou a presença de um mero juvenil.

Diante dessa limitação, o experimento foi transferido para um banco de rodolitos mais afastado da costa, localizado a 12 metros de profundidade, próximo ao naufrágio Alice. Segundo o relato de campo, esse banco apresentava características distintas das áreas estudadas em Fernando de Noronha e na Ilha do Arvoredo, com os rodolitos recobertos por sedimentação.

Banco de rodolitos amostrado pela equipe em João Pessoa
Banco de rodolitos amostrado pela equipe em João Pessoa (PB).
Peixes associados ao banco de rodolitos próximo ao naufrágio Alice
Peixes associados ao banco de rodolitos estudado próximo ao naufrágio Alice.

Coleta para caracterização da comunidade associada

Ainda em 24 de março, foram coletados todos os rodolitos presentes em cinco quadrados de 25 x 25 centímetros. O procedimento seguiu o padrão adotado em Fernando de Noronha e teve como finalidade fornecer amostras para a descrição da comunidade associada ao banco de rodolitos.

Nove incubações e medições de oxigênio

Nos dias 25, 26 e 27 de março, a equipe retornou diariamente ao ponto próximo ao naufrágio Alice para realizar três incubações por dia, totalizando nove procedimentos. O oxímetro foi utilizado para medir o oxigênio dissolvido no início e no final de cada incubação. Essas leituras permitem obter as taxas de fotossíntese e respiração da porção incubada do banco. A duração das incubações foi estabelecida em uma hora e meia com base na porcentagem de saturação do oxigênio.

Mergulhadores durante as incubações no banco de rodolitos próximo ao naufrágio Alice
Mergulhadores durante a instalação e acompanhamento das incubações no banco de rodolitos próximo ao naufrágio Alice, em João Pessoa (PB).

Profundidade, turbidez e incidência de luz

O equipamento LI-COR foi utilizado ao meio-dia para registrar a incidência de luz a cada metro de profundidade. Os registros permitem calcular a taxa de atenuação da luz, adotada no estudo como uma medida indireta da turbidez da água e para estimar as manipulações de sombra para a próxima rodada do experimento.

De acordo com o relato de campo, a incidência de luz sobre o banco correspondeu a cerca da metade da observada na Ilha do Arvoredo e em Fernando de Noronha. A diferença foi associada à maior profundidade e à turbidez da água, relação observada nos registros do LI-COR. Apesar das condições distintas, as nove incubações foram concluídas e a curva de luz obtida foi considerada satisfatória no relato.

Contribuição da expedição para a pesquisa

A expedição aplicou o protocolo de incubações, medições de oxigênio e registros de luz em um banco com condições de profundidade, sedimentação e turbidez diferentes das observadas nas expedições anteriores. As medições e coletas realizadas em João Pessoa integram o conjunto de dados voltado à compreensão dos bancos de rodolitos ao longo da costa brasileira.