Entre 15 e 22 de fevereiro de 2025, pesquisadores do IntegraMar realizaram uma expedição científica a Fernando de Noronha para estudar o banco de rodolitos da Ressurreta, localizado a 6 metros de profundidade. O trabalho reuniu experimentos embaixo d’água, onde medições de oxigênio dissolvido e luz foram realizadas, além de coletas destinadas à caracterização da comunidade associada.
Incubações no banco de rodolitos da Ressurreta
A equipe de campo foi formada por Bárbara Segal, Marina Sissini, Cesar Cordeiro e Tainá Gaspar, com apoio da equipe da Sea Paradise nas operações no mar. As atividades foram distribuídas em três dias de saída: o primeiro foi dedicado à instalação das bases da câmara, do vergalhão e de uma placa de identificação do experimento; nos dois dias seguintes, foram realizadas nove incubações — quatro no primeiro dia e cinco no segundo.
O planejamento inicial previa três incubações por dia ao longo de três dias. Entretanto, diante da possibilidade de fechamento do porto em razão do swell (ondulação marítima de longo período gerada por sistemas meteorológicos distantes), a equipe concentrou as incubações em dois dias para evitar perdas e garantir a segurança de todos. As condições do mar dificultaram as operações subaquáticas e reduziram a incidência de luz na Ressurreta, exigindo uma rápida adaptação para melhoria da fixação do experimento.
Medições de oxigênio, luz, fotossíntese e respiração
O oxímetro foi utilizado para medir o oxigênio dissolvido no início e no final de cada incubação. Essas leituras permitiram obter as taxas de respiração e fotossíntese da porção incubada do banco de rodolitos. A porcentagem de saturação do oxigênio também ajudou a definir a duração das incubações, estabelecida em uma hora e meia.
Diariamente, ao meio-dia, o equipamento LI-COR foi lançado para registrar a incidência de luz a cada metro de profundidade. Os registros permitiram calcular a taxa de atenuação da luz, utilizada no estudo como uma medida indireta da turbidez da água. De acordo com o relato de campo, os dados de luz, fotossíntese e respiração apresentaram o comportamento esperado.
Coletas para análise da comunidade associada
Após as incubações, a equipe também coletou todos os rodolitos presentes em cinco quadrados de 25 x 25 centímetros. Fixadas em formol e transportadas para Florianópolis, essas amostras foram destinadas à triagem e à contabilização da comunidade associada em grandes grupos. Esse procedimento permite descrever a composição da criptofauna do banco de rodolitos estudado.
Divulgação científica e integração entre pesquisas
Além das atividades no mar, a expedição incluiu uma palestra realizada no Projeto TAMAR em 17 de fevereiro. O encontro apresentou ao público informações sobre os rodolitos e sobre as atividades desenvolvidas pela equipe em Fernando de Noronha.
Durante a expedição, a equipe também participou de uma apresentação da Profa. Silvia Nascimento (UNIRIO) sobre casos de ciguatera em Fernando de Noronha. Na ocasião, foram discutidos pontos de integração envolvendo o monitoramento da comunidade bentônica durante as amostragens do Projeto PELD ILOC.
Contribuição da expedição para a pesquisa
A expedição reuniu medições realizadas no ambiente, coletas padronizadas e procedimentos de laboratório que apoiam a investigação sobre o funcionamento do banco de rodolitos em Fernando de Noronha e seu papel nos processos associados ao carbono na costa brasileira.