O Projeto

As atividades da rede estão organizadas em quatro eixos interligados, reunindo pesquisa, monitoramento e estratégias de conservação para os ecossistemas marinhos brasileiros.

Mergulhador realizando monitoramento subaquático em recife brasileiro

Eixos Temáticos

Conheça como cada eixo combina áreas de amostragem, métodos científicos e registros de campo para investigar os ecossistemas marinhos brasileiros.

EIXO 1. BIODIVERSIDADE, FUNCIONAMENTO E RESILIÊNCIA DE AMBIENTES RECIFAIS

Coordenadores: Dr. Cesar Cordeiro e Dr. Hudson Pinheiro

Centenas de mergulhos, experimentos em campo e amostragens, dos costões rochosos aos recifes profundos. Neste eixo, dezenas de pesquisadores se dedicam a monitorar a biodiversidade recifal, entender suas transformações ao longo do tempo e revelar uma biodiversidade ainda pouco conhecida pela ciência.

Parte desse trabalho acontece em recifes da costa brasileira ainda pouco amostrados, onde novas expedições vêm ampliando o conhecimento sobre a distribuição das espécies e revelando novos registros e espécies potencialmente novas para a ciência.

Outra frente nos leva ainda mais fundo, aos recifes mesofóticos, em profundidades que podem ultrapassar os 60 metros. Pouco explorados e de difícil acesso, esses ambientes guardam comunidades ainda pouco conhecidas e abrem uma nova fronteira para a descoberta da biodiversidade marinha brasileira.

Pesquisador realizando censo visual subaquático em ambiente recifal
Monitoramento da comunidade de peixes recifais por meio de censos visuais subaquáticos realizados em Fernando de Noronha (PE).
Levantamento bentônico por fotoquadrado em ambiente recifal
Levantamento da comunidade bentônica por meio de fotoquadrados em ambientes recifais de Fernando de Noronha (PE).

Dinâmica temporal de comunidades e fatores ambientais

Como as comunidades marinhas mudam ao longo do tempo e o que explica essas mudanças?

Acompanhamos comunidades marinhas ao longo do tempo para entender como sua composição, abundância e diversidade respondem às variações do ambiente. Combinamos dados sobre a biodiversidade com informações ambientais, buscando identificar quais fatores estão associados às mudanças observadas.

Esse acompanhamento permite reconhecer tendências, variações naturais e possíveis respostas a eventos extremos e às mudanças ambientais globais, ajudando a compreender como os ecossistemas marinhos estão se transformando e quais ambientes e espécies podem ser mais vulneráveis.

Monitoramento de comunidades do entremarés

O que as comunidades que vivem entre a terra e o mar podem nos contar sobre as mudanças no ambiente?

Monitoramos organismos que vivem no entremarés, a faixa costeira que fica alternadamente coberta e exposta pela água com o movimento das marés, para acompanhar como essas comunidades variam no espaço e ao longo do tempo.

Por estarem diretamente expostos a mudanças na temperatura, ondas, marés e outras condições ambientais, esses ambientes funcionam como importantes áreas para acompanhar transformações nos ecossistemas costeiros. O monitoramento de longo prazo nos ajuda a identificar mudanças na biodiversidade e a compreender como essas comunidades respondem às alterações ambientais.

Recifes mesofóticos e bancos de rodolitos

O que existe nos ambientes recifais mais profundos da nossa costa e qual é a sua importância para a biodiversidade marinha?

Investigamos recifes mesofóticos e bancos de rodolitos encontrados em profundidades de aproximadamente 30 a 150 metros, ambientes ainda pouco conhecidos quando comparados aos recifes mais rasos.

Por meio do levantamento e monitoramento da biodiversidade, buscamos compreender quais espécies vivem nesses ambientes, como essas comunidades estão distribuídas e como se relacionam com as condições ambientais e com os ecossistemas mais rasos. Também queremos entender sua importância como áreas de abrigo, alimentação e manutenção da biodiversidade, além de avaliar como as atividades humanas e mudanças ambientais podem afetar esses ecossistemas profundos.

Conhecer melhor esses ambientes é fundamental para revelar uma parcela ainda pouco estudada da biodiversidade brasileira e contribuir para estratégias de conservação que considerem não apenas a superfície e os recifes rasos, mas também os ecossistemas que se estendem pelas regiões mais profundas da nossa costa.

Mapa de Amostragem

Mapa com locais de amostragem e monitoramento do Eixo 1 ao longo da costa brasileira

Os pontos no mapa representam os locais de amostragem e monitoramento do Eixo 1 ao longo da costa brasileira.

Eixo 2

Impactos Locais, Globais e Sinérgicos

Coordenadores: Dr. Guilherme Longo e Dr. Ronaldo Francini-Filho

Entrevistas, levantamentos de campo, sensoriamento remoto, análises químicas, experimentos e modelos preditivos: diferentes ferramentas para compreender e mapear as ameaças à biodiversidade marinha brasileira.

Queremos entender como pressões locais, como turismo, pesca e poluição, interagem com impactos globais, como o aquecimento e a acidificação dos oceanos. Para isso, combinamos diferentes abordagens ao longo da costa brasileira, buscando identificar áreas vulneráveis, refúgios climáticos e possíveis mudanças futuras na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos.

Monitoramento por drone em área costeira usada pela pesca
Monitoramento por drone dos impactos da pesca de pequena escala, artesanal e recreativa, sobre a zona entre marés.
Amostra de material particulado para análise de microplásticos
Material particulado concentrado a partir de amostras de água do mar para análise da ocorrência de microplásticos em Fernando de Noronha (PE).

Turismo e Pesca

Como o turismo e a pesca transformam os ecossistemas marinhos brasileiros?

Combinando entrevistas, levantamentos de campo, bases históricas de desembarque pesqueiro e censos de peixes, estamos investigando os conflitos e impactos associados ao uso dos ambientes marinhos. Também analisamos como a pesca modifica a biomassa, a composição funcional e a estrutura das teias alimentares.

Nos recifes do entremarés, utilizamos drones, mapeamento participativo e entrevistas com pescadores para identificar áreas de pesca, espécies-alvo e intensidade de uso. Com isso, buscamos produzir informações que contribuam para o manejo sustentável do turismo e da pesca e para a conservação da biodiversidade marinha.

Poluição Química e Plástica

Onde estão as áreas mais vulneráveis à poluição nos ecossistemas marinhos brasileiros?

Coletamos amostras de água, sedimento, macroalgas e peixes dentro e fora de unidades de conservação para avaliar nutrientes, metais, hidrocarbonetos, indicadores de contaminação por esgoto e diferentes tipos de resíduos plásticos.

Também investigamos a distribuição de plásticos em recifes rasos e mesofóticos, além da presença de microplásticos em espécies de peixes consumidas pela população. Essas análises permitirão mapear fontes e níveis de contaminação, identificar áreas prioritárias e apoiar ações de monitoramento, mitigação e controle da poluição marinha.

Mudanças Climáticas e Sinergias

Como o aquecimento e a acidificação dos oceanos interagem com impactos locais sobre corais e peixes?

Em experimentos de laboratório, simulamos condições futuras de temperatura, acidificação e enriquecimento por nutrientes para avaliar seus efeitos isolados e combinados sobre a saúde, o crescimento, a fisiologia e o comportamento de corais e peixes recifais.

Também mapeamos potenciais refúgios climáticos, investigamos se a associação com peixes pode aumentar a resistência e a recuperação dos corais após o branqueamento e desenvolvemos modelos para projetar mudanças futuras na pesca. Ao integrar experimentos, dados ambientais e modelos preditivos, buscamos compreender onde e como os impactos poderão ser mais intensos e identificar caminhos para fortalecer a conservação e a resiliência dos recifes brasileiros.

Mapa de Amostragem

Mapa com locais de amostragem, monitoramento e experimentação do Eixo 2 ao longo da costa brasileira

Os pontos no mapa representam os locais de amostragem, monitoramento e experimentação do Eixo 2 ao longo da costa brasileira.

Eixo 3

Serviços Ecossistêmicos

Coordenadores: Dra. Mariana Bender e Dr. Vinicius Giglio

Amostras, coletas, medidas e análises: diferentes ferramentas para compreender e mapear como a biodiversidade marinha contribui para o bem-estar da sociedade brasileira.

Queremos entender como os ecossistemas marinhos e sua biodiversidade fornecem benefícios essenciais à sociedade, da regulação do clima e produção de alimentos à geração de renda e aos valores culturais associados ao mar. Para isso, combinamos diferentes abordagens e ferramentas de pesquisa ao longo da costa brasileira.

Instalação de câmeras bentônicas em banco de rodolitos
Instalação de câmeras bentônicas para o monitoramento e a incubação da comunidade associada a bancos de rodolitos em João Pessoa (PB).
Entrevista com pescador artesanal sobre uso de recursos marinhos
Entrevistas com pescadores artesanais para compreender o uso e o consumo de recursos marinhos pelas comunidades tradicionais.

Rodolitos e Carbono Azul

Qual é o papel dos bancos de rodolitos no ciclo do carbono?

Experimentos padronizados realizados em diferentes pontos da costa brasileira nos permitirão medir as taxas metabólicas desses extensos bancos de algas calcárias e compreender seu papel nos fluxos de carbono. Queremos investigar como esses ecossistemas participam do ciclo do carbono e como essa contribuição pode ser afetada pelas mudanças ambientais em curso.

Pesca e Nutrição

Que peixes comemos e qual é a sua contribuição para a alimentação e a nutrição da população brasileira?

Combinando entrevistas, coletas de peixes e análises de composição nutricional, incluindo proteínas e micronutrientes, estamos investigando a importância do pescado na dieta de comunidades pesqueiras ao longo da costa brasileira e o valor nutricional das principais espécies-alvo da pesca.

Também queremos compreender o potencial dos nossos recifes para fornecer recursos pesqueiros e investigar como as mudanças ambientais globais podem afetar esse serviço ecossistêmico essencial, conectando biodiversidade, pesca e segurança alimentar e nutricional.

Turismo e Serviços Culturais

Qual é a importância do ambiente costeiro, dos recifes e da biodiversidade marinha para nosso modo de vida?

Nesta frente de pesquisa, investigamos as diferentes formas pelas quais a biodiversidade marinha contribui para o bem-estar das pessoas. Vamos avaliar sua importância para o turismo e para a geração de renda, além de compreender como diferentes grupos da sociedade percebem e valorizam os benefícios proporcionados pelos ambientes costeiros e marinhos.

Com isso, buscamos revelar uma dimensão da biodiversidade que vai além de seus valores ecológicos e econômicos: sua contribuição para nossas experiências, relações com o mar e modos de vida.

Mapa de Amostragem

Mapa com locais de amostragem do Eixo 3 ao longo da costa brasileira

Os pontos no mapa representam os locais de amostragem do Eixo 3.

Eixo 4

Gestão, Manejo e Restauração Adaptativa

Coordenadores: Dra. Leandra Gonçalves e Dr. Rafael Magris

Utilizando diferentes métodos e técnicas de pesquisa, incluindo entrevistas, análises espaciais, ferramentas de suporte à tomada de decisão e experimentação, este eixo busca compreender diferentes dimensões da conservação marinha para gerar informações que apoiem a criação de novas Áreas Marinhas Protegidas, o aprimoramento das estratégias de gestão e governança das áreas já existentes, e estratégias reativas de engenharia azul, contribuindo para gerar recomendações e resultados mais efetivos de conservação.

Comunidade incrustante em substrato experimental
Comunidade incrustante após seis meses de desenvolvimento sobre substrato experimental semeado com esponjas nativas na costa da Bahia.
Participantes de oficina colaborativa em Brasília
Representantes do governo, da pesquisa e da sociedade civil durante a I Oficina Colaborativa com Unidades de Conservação Costeiro-Marinhas, em Brasília (DF).

Efetividade das ações de conservação e subsídios à gestão ecossistêmica

As Áreas Marinhas Protegidas estão realmente protegendo a biodiversidade? E onde precisamos criar novas áreas de conservação?

Combinando informações sobre o nível de proteção, os objetivos de conservação, as atividades humanas e as pressões sobre os ecossistemas, buscamos compreender o quanto as Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) estão sendo efetivas na conservação da biodiversidade.

Também utilizamos análises espaciais e dados ambientais para identificar áreas prioritárias para a conservação marinha e apoiar o planejamento de novas AMPs. Assim, buscamos gerar informações que ajudem a melhorar a gestão das áreas existentes e a orientar a expansão da proteção dos ambientes marinhos brasileiros.

Governança

Quem decide como nossas Áreas Marinhas Protegidas são geridas? Como instituições, políticas públicas e sociedade se articulam para proteger o ambiente marinho?

Investigamos como instituições, normas, políticas públicas e diferentes níveis de governo se relacionam na gestão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). Buscamos entender quem são os principais atores envolvidos, quais são suas responsabilidades e como acontece a coordenação entre as escalas local, estadual e federal.

Também analisamos possíveis sobreposições e lacunas de responsabilidades, a integração entre políticas ambientais e outros setores que utilizam o ambiente marinho, além dos espaços de participação social, como conselhos gestores e outros fóruns de discussão e decisão.

Com isso, buscamos identificar caminhos para fortalecer a cooperação entre instituições e a participação da sociedade, incorporando diferentes conhecimentos, interesses e perspectivas. O objetivo é contribuir para uma governança mais integrada e efetiva, capaz de conciliar a conservação da biodiversidade com os diferentes usos e atividades que acontecem no ambiente marinho.

Restauração ecológica

Como tornar construções costeiras mais semelhantes a ambientes naturais?

A partir de experimentos realizados ao longo da costa brasileira (PR, SP, RJ, BA e AL), buscamos entender e testar estratégias relacionadas a como deixar construções costeiras mais semelhantes a ambientes rochosos e recifes naturais, tanto em termos de estrutura física como de funcionamento ecológico, com o objetivo de maximizar a diversidade dessas estruturas artificiais.

Manipulamos a complexidade do substrato, com o objetivo de testar se ambientes mais complexos promovem mais refúgios e habitat para diferentes espécies, gerando maior diversidade, e também testamos se "semear" o substrato vazio com espécies nativas pode agilizar a ocupação do espaço e dificultar a ocorrência de espécies exóticas.

Como os experimentos vêm sendo realizados em diferentes locais e com diferentes espécies nativas, com os resultados obtidos, poderemos gerar recomendações mais assertivas sobre quais estratégias implementar em diferentes situações para as intervenções nas estruturas costeiras serem mais efetivas para aumentar a semelhança com ambientes naturais e a diversidade biológica.

Mapa de Amostragem

Mapa com áreas e locais de gestão, manejo e restauração do Eixo 4 ao longo da costa brasileira

Os pontos e áreas no mapa representam os locais de atuação, gestão, manejo e restauração do Eixo 4 ao longo da costa brasileira.