A expedição científica do IntegraMar a Abrolhos, realizada entre 14 e 17 de maio de 2026, reuniu experimentos e coletas em diferentes pontos da região e contou com o apoio do Instituto Coral Vivo. As atividades incluíram incubações de rodolitos, turf e grama marinha, censos visuais, registro da cobertura bentônica e amostragens para análises de poluentes e nutrientes, integrando os Eixos 1, 2 e 3 da nossa Rede.

Condições favoráveis para a navegação

A equipe se reuniu em Vitória (ES) e viajou até Caravelas, no sul da Bahia, para embarcar rumo a Abrolhos, destino da expedição. O apoio logístico foi feito pela SCUBA Turismo, com apoio excepcional do comandante Dilson Zaa e equipe. Foram quatro dias intensos de trabalho de campo, aproveitando a janela curta e favorável à navegação entre frentes frias.

O trabalho de campo iniciou-se ao norte do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no banco de rodolitos. Nesse ponto, a visibilidade permaneceu entre aproximadamente 3 e 4 metros, e a correnteza foi forte durante a maior parte do tempo, aumentando o desafio das operações subaquáticas.

Incubações de rodolitos e atividades integradas

Durante o primeiro dia de campo, a equipe instalou os equipamentos e iniciou as incubações dos rodolitos, concluídas no dia seguinte. Nesse local, também quantificou a taxa de predação, realizou censos, registrou características da cobertura bentônica e coletou amostras para análises de poluentes e nutrientes.

Colônia de coral registrada durante a expedição científica em Abrolhos
Colônia de coral registrada durante as atividades de campo em Abrolhos.
Mergulhadores realizam levantamento da cobertura bentônica em Abrolhos
Equipe realiza levantamento subaquático da cobertura bentônica em Abrolhos.

Incubações na ilha Siriba

No terceiro dia, foram realizadas incubações de turf — tapete de algas marinhas de pequeno porte que recobre o substrato marinho — e grama marinha ao norte da ilha Siriba. As atividades ocorreram em águas calmas, embora ainda aquém da visibilidade desejada, e foram concluídas sem problemas.

Câmara de incubação instalada ao norte da ilha Siriba, em Abrolhos
Câmara utilizada nas incubações realizadas ao norte da ilha Siriba.
Equipamento instalado entre algas durante experimento subaquático em Abrolhos
Equipamento instalado durante os experimentos subaquáticos em Abrolhos.

Censos visuais e coletas em Mato Verde e no Parcel das Paredes

No último dia da expedição, a equipe realizou censos visuais, registros fotográficos para quantificação da cobertura bentônica e coleta de amostras destinadas à análise de poluentes no sítio Mato Verde, localizado na ilha do Farol. Em seguida, as atividades prosseguiram no Parcel das Paredes, recife mais próximo à costa, onde também foram feitos censos visuais, registros bentônicos, coletas de amostras para poluentes e a quantificação da taxa de predação.

No último mergulho da expedição, no Parcel das Paredes, a equipe teve o privilégio de observar um mero (Epinephelus itajara), espécie criticamente ameaçada de extinção no Brasil. Embora a presença do mero possa indicar um local potencialmente saudável, a observação da cobertura bentônica sugeriu ambientes afetados. Ainda assim, grandes colônias de Millepora foram observadas no local. Essa é apenas uma percepção preliminar, e os dados referentes a essas amostragens ainda serão analisados.

Apoio da equipe da embarcação

A execução do trabalho também contou com o apoio da equipe da embarcação. O relato destaca a atuação de Giovana (chef e capitã), e de Dílson Zaa (capitão e mergulhador), além dos mergulhadores e apoio de bordo, Paulo Pedro e Robert.

Contribuição da expedição para a pesquisa

As incubações, os censos, as atividades relacionadas ao bentos, os experimentos de predação e as coletas realizadas em Abrolhos compõem um conjunto integrado de informações sobre os ambientes estudados e inédito na região. O material obtido foi destinado às análises previstas no projeto e à organização dos registros científicos do IntegraMar.