Entre 10 e 14 de março de 2025, uma equipe do IntegraMar, com apoio logístico do ICMBio - NGI Florianópolis, realizou uma expedição científica à Ilha do Arvoredo para estudar o banco de rodolitos do Rancho Norte, localizado a 7 metros de profundidade. O trabalho retomou um campo piloto realizado em janeiro e aplicou o protocolo experimental de incubações subaquáticas com medições de oxigênio dissolvido e luz e coleta da comunidade incubada.
Retomada do campo no banco de rodolitos do Rancho Norte
Um campo piloto havia sido realizado na Ilha do Arvoredo em janeiro de 2025. Como os equipamentos previstos para o estudo ainda não haviam chegado, a equipe adaptou a amostragem a partir de equipamentos cedidos pelo Laboratório de Ficologia da UFSC. De acordo com o relato de campo, esses instrumentos não eram adequados ao protocolo experimental e não permitiram leituras adequadas de oxigênio e luz.
Por essa razão, o trabalho foi refeito em março no Rancho Norte. Tanto no campo piloto quanto na nova expedição, o apoio do ICMBio NGI Florianópolis foi fundamental para a realização das atividades.
Instalação do experimento e nove incubações
No dia 10 de março de 2025, a equipe instalou no substrato os anéis e o vergalhão utilizados no experimento. As incubações foram realizadas nos dias 12, 13 e 14, com três procedimentos por dia, totalizando nove incubações no banco de rodolitos.
Como Bárbara Segal e Marina Sissini não puderam participar desta etapa, o trabalho contou com o apoio do biólogo e instrutor de mergulho Felipe Neves e dos integrantes do LAFIC Fábio Fialho, Eduardo Bastos e Carlos Eduardo Peixoto Dias.
Medições de oxigênio, luz, fotossíntese e respiração
Seguindo o padrão adotado na expedição a Fernando de Noronha, o oxímetro foi utilizado para medir o oxigênio dissolvido no início e no final de cada incubação. Essas leituras permitem obter as taxas de respiração e fotossíntese da porção incubada do banco. A porcentagem de saturação do oxigênio também orientou a duração das incubações, estabelecida em uma hora e meia.
O equipamento LI-COR foi utilizado ao meio-dia para registrar a incidência de luz a cada metro de profundidade. Os registros permitem calcular a taxa de atenuação da luz, adotada no estudo como uma medida indireta da turbidez da água.
Coleta da comunidade incubada
Ao final das incubações, a equipe coletou a comunidade incubada, completando o conjunto de procedimentos realizados no banco de rodolitos do Rancho Norte.
Apoio institucional e colaboração científica
A realização do campo reuniu o apoio do ICMBio NGI Florianópolis e a colaboração de pesquisadores e profissionais ligados ao LAFIC. Essa rede de apoio possibilitou a repetição do experimento com os equipamentos adequados ao protocolo e a execução das nove incubações realizadas no Rancho Norte.
Contribuição da expedição para a pesquisa
A expedição permitiu aplicar no banco de rodolitos do Rancho Norte o mesmo protocolo utilizado em Fernando de Noronha. As medições e coletas realizadas na Ilha do Arvoredo integram o conjunto de dados voltado à compreensão do funcionamento dos bancos de rodolitos ao longo da costa brasileira.
A expedição permitiu aplicar no banco de rodolitos do Rancho Norte, na Ilha do Arvoredo, o mesmo protocolo utilizado em Fernando de Noronha e em João Pessoa. Esses resultados são fundamentais para compreender como o funcionamento dos bancos de rodolitos varia ao longo da costa brasileira e para avaliar seu papel na produção de carbono orgânico e biogênico na forma de carbonato. O conjunto de dados contribui, assim, para ampliar o conhecimento sobre a importância ecológica e biogeoquímica desses ambientes e para identificar como diferentes condições ambientais podem influenciar seu funcionamento.